eu tenho um casal de amigos que se divorciaram no início do ano passado. tudo bem, não é? essas coisas acontecem. um dia você acorda e já não dá mais pra viver com aquela pessoa com quem prometeu passar o resto da vida. somos muito pequenos para a eternidade, muito grandes para a rotina. eles precisavam desse adeus, pensei.
e então veio 2015 e novos planos, nova vida. todo mundo disposto a se encontrar e se entender um pouco mais. a carol viajou, o edu voltou a estudar. eles conheceram outras pessoas e se amaram mais e melhor.
o edu me ligava pra saber como eu tava, mas só esperava que eu dissesse “carolina tá linda, cortou o cabelo” pra dizer “mas eu adorava o cabelo dela”. a verdade é que ele adorava tudo nela e todo mundo sabia disso, menos ele.
a carol me escrevia emails gigantescos anexando fotos de lugares muito bonitos e pessoas que pareciam mais livres do que eu podia imaginar. e sabe o que ela encontrava em todo mundo e em qualquer lugar do mundo? manias e trejeitos do edu, os que ela mais detestava e achava lindo. se eram mesmo tão parecidos? não posso garantir.
ela voltou de amsterdam e ele estava em sp. o tempo a deixou mais desligada e bonita, assim como o transformou num cara mais sério e pensativo. se encontraram no mês passado numa festa que eu deixei de ir por preguiça. foi a vez dela de contar histórias inacreditáveis, foi a vez dele ficar completamente hipnotizado. os amigos me contam que quem viu eles se olhando já sabia.
ontem eu recebi um email da carol, com um texto curto do edu e um convite anexado.
foi aí que eu percebi que o amor é um sr. teimoso com um banquinho.
se ele quiser, ele fica.
e então você pode cruzar o mundo
entrar na faculdade de novo
conhecer outra versão de si mesmo
se apaixonar por outras pessoas
e se encontrar com alguém numa festa, sentir exatamente a mesma coisa
a ponto de casar de novo
de convidar todo mundo de novo
e escrever um email dizendo
“eu conheci o amor da minha vida,
continua sendo a mesma pessoa”yas